EXCLUSIVO: Família de auditor desaparecido fala pela primeira vez e reza pela volta para casa

Kátia (irmã)., seu Dinarte (pai) e Diego (irmão) vivem angústia da incerteza e rezam pela volta de Dinarte

Kátia (irmã), seu Dinarte (pai) e Diego (irmão) vivem angústia da incerteza e rezam pela volta de Dinarte

Não foi nada fácil. Chamado à casa da família em Nova Parnamirim, cheguei por volta das 17h e encontrei um cenário desolador. Dinartinho está sumido há exatamente uma semana e hoje na casa em que ele vive com a família encontrei dona Terezinha, a mãe dele, deitada numa rede, sob efeito de remédios. O pai, seu Dinarte, com mais de 70 anos, atordoado de sofrimento, o irmão Diego desolado, chorando aos borbotões e Kátia, a irmã, tentava manter-se lúcida entre momentos de desespero e depressão.

No hall de entrada, amigos faziam uma corrente de oração fervorosa. Clamavam para que o rapaz de 36 anos seja encontrado. Dinarte é um homem inteligente, discreto, bom filho, alegre e batalhador. Entrou no grupo Riachuelo como caixa e 17 anos depois alcançou o posto de auditor, homem de confiança da cúpula do poderoso grupo empresarial. Com a grana que ganha construiu aquela confortável casa, onde todos moram há apenas um ano. “Um dia vou construir uma casa e vamos morar todos juntos”, sonhava orgulhoso quando era mais jovem.

Há cerca de dez dias Dinarte foi a Mossoró para uma auditoria. E não voltou. Em todo o tempo de serviço só faltara uma vez, por isso todos logo estranharam. As câmeras do hotel mostraram ele saindo de lá. com um jovem com quem teria um relacionamento. O carro de Dinarte foi encontrado na quarta-feira, na cidade de Bento Fernandes e ontem (27), Dayvison, o rapaz de 23 anos que acompanhava Dinarte, foi preso em Nova Parnamirim, como suspeito do desaparecimento.

Na entrevista Kátia se prontifica a desabafar em nome de todos. Falou do sofrimento, da angústia e do sonho de encontrá-lo vivo. É a primeira vez que a família se pronuncia e não houve problema em falar da sexualidade de Dinarte. Falou-se do tema natural e voluntariamente, com todo o amor do mundo. Para a família era preciso abordar o tema, já que ser homossexual não o desabona como pessoa, como homem honesto, como filho dedicado e não pode ser motivo de qualquer violência que possa ter sofrido. “Só quero meu irmão de volta. Amamos e precisamos dele”, fala a irmã.

Também no apelo à Band Natal, Kátia conta como ajudou a polícia a capturar Dayvison, depois que ele telefonou  pedindo para se encontrar e prestar solidariedade. O suspeito estava com três cartões de Dinarte e depois que tudo ocorreu os usou várias vezes com outras pessoas, inclusive pagando um tratamento dentário de R$ 1.300,00. Ele não estava sozinho em Mossoró. E a polícia sabe disso.

Se foi difícil chegar à casa daquelas pessoas, sair, muito mais. Recebi abraços que suplicavam por algum conforto. Segurei mãos trêmulas que buscam algo onde se apoiar. E foi muito mais difícil manter qualquer tipo de isenção recomendada pelo bom jornalismo. Saí torcendo muito para que tudo termine da melhor forma para aquelas pessoas.

Eu não sabia, mas Dinarte me segue no Face, lê e curte as bobagens que escrevo no Blog. Depois que a família falou fui checar e vi que em 2013 tínhamos conversado rapidamente. Ele tinha vindo me fazer uma denúncia sobre segurança pública. Foi rápido, pediu descrição sobre o assunto, e no final riu com uma frase engraçada que ele mesmo falou.

A entrevista e o apelo da família Bezerra vocês vão ver amanhã, no Nordeste Urgente, Às 12h30.

1 Comentário

  1. Priscilla Guedes

    Parabéns! Você foi muito sensível e respeitoso com a história de Dinarte é a dor da família. A angústia continua, era um grande amigo!

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