Menina de 15 anos vai para micareta e morre com facada no peito (da banalidade da morte no meio da molecada)

Mais uma menina cujo sangue escorre pela brutalidade de nossos dias

Antigamente, quando eu era molecote, a gente tinha disputa entre a rua de baixo e a de cima, entre condomínio e outro, dava carreirão nos caras de outro bairro, era pernada e braçada pra todo lado pra ver se acertava a ureia de alguém, depois pegue carreira pra casa. E as meninas ficavam rindo das mungangas da gente, e brincavam de queimada e elástico.

A idade ia passando, a adolescência chegava aos pouquinhos e as meninas que a gente achava “nam. aquelas meninas véa-chata” começavam a chamar a atenção de um jeito diferente. Algumas ja tinham a cintura afinada, e curvas levemente acentuadas que despertavam na gente una negócio mei coisado. E às vezes tinha uma que a gente queria estar perto toda hora. E quando ela aparecia na rua (ou no meu caso, no playground do prédio) o coração disparava que o caba pensava que o miserave ia sair pela boca. E as mãos suavam e a gente não sabia se ia falar, se corria pra ela não ver, e acabava brechando detrás da pilastra. E se ocorresse de dar de cara com ela no colégio, não tinha jeito, tinha que falar. E geralmente a gente dizia uma leseira bem lesa, que quando ela ia embora o caba pensava: “diaaaaabé issu que eu falei? takepariu. Pombão”

Onde foi que a meninada se perdeu? Porque grande parte da molecada não vive isso mais? E com 16 os caras já estão botando 38 na cara do homem do mercadinho? E as meninas com 14 já fazem uns gestos escrotos com as mãos e se intitulam no Face como “princesinha do crime?”

No meu tempo micareta ou festa de reis era dia que mainha deixava eu ficar sozinho, “até as dez da noite, Jacson”. Era no interior e a gente se arrumava todinho, metia perfume e ficava de galera se “amostrando” pras meninas. Ontem teve um carnaval na zona Oeste de Natal, o Nazaré Folia. E essa menina linda de 15 anos da foto – e não vou postar o nome todo e transformá-la em estatística de jornal – a Maria Raquel, pulava no bloco com a mãe. De repente não sei porque, duas outras garotas a atacaram e um facada foi dada no peito dela. Um vídeo de celular mostra o ataque e eu não vou postar. A menina olha para o local do golpe e grita “Uma facada!”

Raquel morreu no hospital pouco depois. O G1 RN noticiou que uma das meninas que cometeram o ato bárbaro é namorada  do ex dela ( http://glo.bo/2mbMmcN). Eu não sei da vida de Raquel, não sei o que ela fez ou deixou de fazer. Não conheço as outras duas (que já estão identificadas), mas sei que está tudo muito errado. Não era para ser assim, meu Deus. Não era.

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